sábado, 14 de abril de 2012

Tu, tu fazes-me falta




Na perfeição do Céu dançam  os olhos
Nas estrelas
plena Lua  perfeita-perfeita 
amanhece em fogo de rasgos imperfeitos-mais-que-perfeitos
(é a linha do infinito que me rasga)
                                  o toque do vento

sabe...

são de asas os sonhos
          da impossibilidade
   possível verdade

     saudade arde
(tu, tu fazes-me falta )



terça-feira, 3 de abril de 2012

Faria um Relógio de Sol pra me iluminares






Pudessem as pedras recontar
Lá ao fundo a visão que se ergue
( túnel onde acendes velas )
       soubesse o ponteiro partido
No distorcido segundo te puxar

Cada sopro era 
                             ( chama )
Cada chama minhas mãos         r
quisesse o caminho soprar a  vela  
                                                 s  
                                                   g
                                                       a
                                                          d
                                                        a                                                                 

Até ao caminho feito de nada
Faria um Relógio de Sol pra me iluminares

Dias seriam Horas
         Onde te erguias
           Em horas seguidas para me tocares.



domingo, 11 de março de 2012

Em Gelo Ponto de Fusão







Reduzidas em pedaços

Quebradas
Promessas
Interrompidas
No
Perfeito
Desfeito

Pretérito mais-que-perfeito
Nós
Em
Presente do conjuntivo

                                 Ponto de fusão
Confusão
Que nós gelemos

Em Estátua
Em ponto de Fusão,

Quebrados.
                         
                            Imperativo...


sábado, 10 de março de 2012

Contorcida melancolia






Tu podias ser poesia
      Mas és música tocada numa triste melancolia

Melodia sem movimento
Vento que sopra
                    Sem as folhas tocar
Movimento sem melodia
       Que levanta as folhas
                    Mas não se ouve
Resmalhar

Piano aonde os dedos
Não chegam
      Contorcem
Dando o som de um rochedo

Melancólica melancolia
Triste
     Cor cinza no dia
Contorcida melancolia,
       Onde tu,
              Eras para ser     a  Poesia.




És Poesia








Traço-te no traço da palavra.

Imagino-te

                      Mãos no rosto
                      De dias cansados

Com uma caneta
Escolhes aquilo que sonhas
                        Ou sonhas-te.

Em letra serena e calma

Eu traço-te nos teus traços.

De forma usual
Nada em ti, é normal

Pensas a Alma
Mesmo com a amargura tens no coração
És ponto de calma.


No silêncio da noite
Silencias com lágrimas
O teu sono.


Velas quem queres bem.
Como o céu te vela também.
E te vê,
              Na espera.

Estás traçado no traço da palavra
Como os dias estão traçados em Ti.

Tu...
         
             És Poesia numa eterna Magia.







sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Em Espelhos partidos Existem sempre reflexos Reflectidos



Andando em círculos
Com os meus Espelhos
                            Alguém me vê?
Cegueira
Não, eu sei que não...

                          (minto-me)

Nuvens de mares
Têm tantas Faces

                        (confusão)
                             (beleza)
Círculos
             Sons inscritos

                      (passado)

Um dia tudo vai...

                    (presente)
E

Sonho a Sonho
Desgovernado corpo

                         (queda)

O chão aproxima-se

     Lentamente

Caio

      Caio

Caio...
             (dor)

             (incompreensão)

Entorpecido corpo doído

                      (resigna-se)

Lá em baixo
Que existe? (ignorância)

                     (expectativa)
Talvez eu voe....
                   (esperança)


Não!

Caio

       Caio

Caio....            (medo)

Onde estou?
Daqui tudo é tão alto
Lá de cima, tudo era tão baixo...
                      ( medo)

                          (expectativa)

                    Lágrimas

Espero voltar onde era meu lugar (fé)
O Céu nunca me disse que era impossível
Lá chegar...

O vento com ele traz as folhas
Eleva-me...
                                       (Espanto)
Posso...

Posso?                        (Felicidade)

Sensação, Sensação, Sensação
            (concretização)

A queda pode abrir caminhos por trilhar
Tudo no mundo tem o seu lugar.
Em espelhos partidos
Existem sempre reflexos
                                            Reflectidos


        (Conclusão. ) 

Quem foi que urdiu a Palavra?







Em tempos mais longe que o Longínquo
Foram Urdidas em Segredo

Palavras em doces mentiras

Ainda sem ter
           Sombra do relógio
                Sem o relógio ter sol.

Proferiram fantasias
                                   Quimeras mentiras

Onde quem urgiu,
Soltou em todo o Mundo

                                    O murmúrio disfarçado
  Em mão estendida.

Quando na verdade quem o dizia
Se esqueceu,
De contar de quem com a verdade
O Tocou e perdeu,
                                   
                                   De dor enlouqueceu.

Quem foi que urgiu a palavra Amor?


De minhas lágrimas crescem silvas
Urdidas palavras
Caladas
Sentidas
Agora são pétalas caídas.