terça-feira, 14 de abril de 2015

Quase







Já não sei fazer de conta
Que sei escrever poemas
Estou cansada
Das palavras repetidas
Das somas somadas das sombras


Tudo o que tenho feito é inventar
Um ilusionismo sem qualquer ilusão


Estou cansada de me cansar ao pensar
E... já não sei fazer de conta


Mas um verso pode encerrar tanta existência
Dissipar os lugares escuros
Elevar-nos sem refúgios
Contradizer a exactidão do termo 


E mesmo sem saber conceber tanto                                                        
Nas palavras tantas vezes fatigadas
Reditas na mesma consonância
Vou fazer de conta


Que quase é,
Poesia


4 comentários:

  1. A “inspiração iluminada” é um mito poético.
    Excepção afastada,
    O acto-escrita encerra, vezes-tantas, um inspirado sofrimento.

    É a palavra que persistentemente se repete,
    É a metáfora esquiva,
    É o poema que sempre foge.

    A poesia é questionamento, vezes-muitas.
    Um autoquestionamento que confronta o verso-ausente.
    A demanda do inalcançável “verso perfeito”
    é um desânimo que se conjuga na sombra,

    Quase mais fácil seria não escrever,
    Nunca ceder ao apelo da composição,
    Simplesmente...”fazer de conta”

    Mas, se

    “Um verso pode encerrar tanta existência
    Dissipar os lugares escuros
    Elevar-nos sem refúgios
    Contradizer a exactidão do termo”

    Como se pode negar a palavra?


    Bjo.




    ResponderExcluir
  2. Claro que é poesia! E a poesia alivia a alma de quem escreve e alegra quem a lê!

    Beijinho, continua a poetar, não ligues ao cansaço! ;)

    ResponderExcluir
  3. A beleza da imperfeição
    não está ao alcance de todos

    Noites claras
    Bj

    ResponderExcluir
  4. A qualidade essencial e bela da tua poesia não se localiza no quase,
    e sim num espaço de arte expressiva da enigmática e profunda construção
    imagética que nos proporciona sempre.
    "Mas um verso pode encerrar tanta existência"
    Sempre fico feliz de contactar com a tua poesia e saber
    que existe poesia num lugar originalmente magistral...

    Beijinhos saudosos!

    ResponderExcluir