quarta-feira, 5 de março de 2014

Se Assim Fosse



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Um mundo sem sol

Sem chuva

           O presságio sem sentimento

Limbo


Corda que no pescoço é laço

Que não escorre

Corrente insuficiente para a viagem,

                             Demasiada para cair


O fumo do cigarro que raramente tem sabor

Mas, quando exala, dissolve-se um

                                        Após outro


Essa linha densa que nos separa

Irreal irrealidade real

De um dia de chuva sem capa, o que disse…?


Que a discordância existe


Sim, ela é só…


O tempo advém de nós

Porque o sentimos em todas as variantes


Limbo não entendido


És tu

Sou eu


Que interessa o sol ser fogo

Se não tens asas

Se a negritude total te desse luz


Se assim fosse  


9 comentários:

  1. Se o mundo sol só fosse
    E a negra tempestade nenhuma emoção trouxesse

    Se discordantes fossem os presságios
    Lassos os nós, Esparsos os laços

    Se nosso tempo fosse por nós criado
    Na recriação da real irrealidade que nos habita

    Se assim fosse, seriamos verso, seguramente poema

    (...)


    Sublinho a conseguida intersecção das vozes
    (onde se inclui o discurso interrogativo directo, que gostei particularmente)
    A emoção intensa que perpassa o poema e nos toca
    E a leituras paralelas que sugere

    Gostei muito
    Um dos teus que mais me tocou, como (espero) se ouça

    Bjo.


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  2. O mundo está neste abismo de negritude inconsciente;atos mecânicos numa

    densa realidade,desencontros numa surda escuta,mas o humano não tem asas,

    mas tem sonhos... E o dia que nasce com o sol (luz) faz a diferença...

    Belo poema que cresce (em luz) na excelente declamação do Filipe!

    Beijinhos.

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  3. O deslizar de sensações expressas em verso ou ou expressar de pensamentos "soltos" a propósito de uma inquietude algo inexplicável. Olhares expressivos numa certa inexpressividade de momentos de um real...

    A tua poesia tem um cariz sui generis que aprecio. Vale por si só!

    Bjo, Maria João :)

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  4. Um poema que li e reli, umas quantas vezes, assim como o excelente comentário do Filipe.
    Perfeito! Um poema feito Luz!!

    Beijinho...:)

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  5. Se assim fosse seria realmente um limbo... Mas será que não o é, por vezes, tantas vezes...?

    Bjs, Maria João

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  6. e o tempo apenas é.
    não corre, não se perde, não se recupera: é!

    ouVer foi maravilhoso.

    Bj.º

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  7. Penso que o mundo depende do nosso estado de espírito...Gostei, Maria.
    Beijos!

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  8. Um complexo desfiar de sentidos.
    Belo poema.
    Cpts

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  9. Bravo, Maria João Mendes! O poema merece tornar-se voz
    como tão bem fez Filipe Campos Melo.
    Beijo.

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