Tu não sabes das manhãs feitas noite
Dos pássaros mudos que pousam na minha janela
Das vezes que corro em busca das borboletas
perdidas
Não, tu não sabes
Do silêncio que é som todos os dias
Dos dias que são areias seladas nos passos
Porque não sabes que o tempo é inerte
Que se move
como as marés
Sincronizadas como asas
Tu não sabes e eu não
sei
Porque não há cânticos
Quando abro o horizonte pelas janelas feitas de mundos
Correrei atrás das borboletas pela escuridão
(até inventar asas)
Porque não sabes, que
sou feita dos sonhos
de uma flor por nascer.