quarta-feira, 28 de maio de 2014

Inspiração






Inspiração
Ins   pi   ra  ção 
Repete
Expira-me
Crê
Cria
Versícula-me



Ainda ontem não sabia que amanhecia
Que meu verso seria o teu
Que no espaço de um corpo todo um poema
Respira


Ainda ontem não sabia das estrelas infindas
na sombra da noite



Encerra as pálpebras
Toda a criação vem do pensamento inspirado
Inspira    
Expira
Respira-me  


sexta-feira, 28 de março de 2014

Começo do Recomeço







Se no começo tivesse sido fim

Não tivesse ido em busca da causa

Que sem causa, causa em mim

Se em determinada hora tivesse notado

                                   A lógica ilógica


Tivesse virado na rua certa

              Calado a palavra errada

 O errado gesto


E fosse portão aberto
         Ao porto de mim


Agora, não era o recomeço

Ou talvez eu fosse o meu avesso

                  Pior que um despertar

Antes começo que um só acabar



quarta-feira, 5 de março de 2014

Se Assim Fosse







Um mundo sem sol

Sem chuva

           O presságio sem sentimento

Limbo


Corda que no pescoço é laço

Que não escorre

Corrente insuficiente para a viagem,

                             Demasiada para cair


O fumo do cigarro que raramente tem sabor

Mas, quando exala, dissolve-se um

                                        Após outro


Essa linha densa que nos separa

Irreal irrealidade real

De um dia de chuva sem capa, o que disse…?


Que a discordância existe

Só

Sim, ela é só…


O tempo advém de nós

Porque o sentimos em todas as variantes


Limbo não entendido


És tu

Sou eu


Que interessa o sol ser fogo

Se não tens asas

Se a negritude total te desse luz


Se assim fosse  


sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Palavra-minha






Afunila-se o túnel

Estreita-se o olhar

         Para lá, o Sol

Dilatam-se as pupilas

Para lá da sina

            Um rio para atravessar 

            Com ou sem margens 

        


Afunila-se o tempo

Aumentam os passos



(nenhum cerco me cerca

nenhuma sina me ensina

sou árvore em vaso quebrado)



O verso mal escrito

Na encruzilhada

               Apagado

 Rescrito
                    
                 Agora  Cinzelado



Ilumina-se o túnel

Refaz-se
                    o tempo

          Para lá da arcada

 Esconde-se um florido campo



(mão que estende

no defumar de uma eterna

fragrância…)



Etérea- harmonia

Sopro-começo

Palavra-minha
                   



quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Vento Frio de Palavras






Palavras são cordéis de arame

                             Enegrecem
Pisam repisam



Amarga água

         Onde mortas eclodem rosas

Espinhos

Dilaceram              esquartejam

Esmurram a alma



São                             eco



Propagam-se sem explosão

                           Em gelo

São cordéis de roca afiada



Palavras ao vento

                Enleiam recalcam a alma 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Pauta Tua







 O tempo e tu

 Tu e a chama

 Coexistentes em meu mundo


                                   minha Era



Exalação de devaneios enlaçados

Em circulares muralhas sagradas



Numa só faísca um mundo aceso

                        Espontaneamente

De tuas mãos crepitam pautas em chamas 



O delírio e tu

Que preenchem quebrados vértices

Onde nada coexistente é quebrado

Mundo fendido de quente jasmim

Que adormece
                         e em ventos me leva



O tempo

         Vale de secretas sombras que dançam

E conspiram o secreto anunciar 



( é de silabas o passo que faço
           as sementes que crescem em lírios de Sóis)



Teu é o Mundo onde nascem palavras

Onde o tempo emerge dos céus

Ganhando voz
                                     
                                  espera…


O tempo e a quimera

A miragem e tu

Negação que não nego

                    
                      Cada passo
                     

                     Tua memória…

                     (São luas que trazes na face)

                     Teu traço  

                     (Eterno)



Que o ponteiro quebra

               e do quebrado faz romper

                                            o canto exato




quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Infindável Acaso








                      Uma brecha

Um despropositado lugar

O começo é iniciado pelo começo

                                      do tempo



Do tempo a constante mudança

O recomeço e a lacuna

                       o reinício do pêndulo



Uma fria aragem contundente

O espaço colhido pelo espaço

Tomado lugar por uma fenda



Conjugados elementos

Sob o chão tomam raízes

                Onde nascem açucenas

Penas que ardem num sol de vidro



           Uma brecha um tempo

   Um acaso num rio de chuva



O  começo é acaso

     e o acaso  uma brecha

                          no vento

                   Fenda sobre fenda


                                 
                                       Infindável