terça-feira, 29 de outubro de 2013

Entardece






Anoitece

                 Cerra o dia


Caem verbos sem destino


 Sem destino tempo sonho


 Adormeço e faz-se noite


 Espero presenciar através de um vitral


                   Tempestades sem dias



 Antevejo

 Chuva quente

               Inerte vendaval

 Quem sabe passo intemporal

                                Em nua cor



Cerro as pálpebras

              Que não cerram

   Afasto o som

              Que escuto em eco



Anoitece  Anoitece

          A noite tece
(e eu teço sem linha)



Há uma rosa por colher

Arvoredos cerram o horizonte

                                     Cai o dia


 Diante ao vento

               Que se estende

Tarde se fez… e ainda vejo


Purpúrea  denúncia

             Nas mãos frias, gota a gota

Colhi o espinho

                     E anoitece…



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Inscrito



 
                               



Em surrealista negra névoa rompeste

                          Etéreo, tão etéreo

Como verso por dedilhar na inalcançável chama



Vagarosamente comprimindo-se mundo

 Meu mundo



Do vazio te esbocei

          Nas linhas ainda por pronunciar


(Quase apagadas
           Quase vazias
                      Quase vida)

  
Tantas vezes escrevi no espaço

Que entre nós escorre 


Ascendeste

Ao sonho

Á voz



 (só quando te toquei se soube real

        Só quando tua voz quebrou, te soube fatal)



Éter

Que inspiro alucinada

          Quase indício

Fuga da madrugada



Infinito de cristal

         Onde te tornei rito

Onde te fiz luz

Onde te aprofundei Sol  
    

               E te escrevi verso



                                              Partiste
                             Ficaste…

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sou a Pedra Secular






                Que é de ti?

 Que ocultas a verdade

 Que é de mim?

           Que de mim contas histórias

 Que é do verso feito sem nexo?


Agora só tocam sopros que cantas no limiar

Que é da razão que precedeu á loucura previamente anunciada



 E os Sonhos?



Quando  rimo o silêncio

Quando  faço asas de cor



Somem-se ventos

                     Caem desalentos

 Formam-se sóis de tempestades que nada sabem da chuva 



Que é do tempo sem ser saudade

            Das mãos sem serem palavras

(Vejo becos cheios de promessas por cumprir)



 Que é do vento que soprava calor


 Das chamas 

                    Ou da canção perdida



Sou espera que espera incessante

                       Descrente enquanto crê

 Acendendo velas lançadas ao mar



 Sou a Pedra Secular  

             Onde um dia dormiram sereias…


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Vislumbre






Não me fujas como galopes de cavalos entrançados no pó

Não sejas diamante negro em petróleo, que meus olhos outrora grandes,agora vêem tempestades

Não sejas espiga pegada a minha roupa que cai com o vento

Nem veneno que bebo e morro sem saber, não me sejas oculto na escuridão nem luz na vela que te chamo 

Sê- me espaço de amores

                                                       Ondas em vagas


Que ainda espero que cubram meu corpo, dança-me sorrisos

                                                                                      canta-me abraços

                                              Não sejas areia fina em vendaval

                                                                                      Sê rodopio

                             Como ave encantada



Olha-me devagar e divaga mas não me vagues

Leio as sílabas da Mente, quando mente

E calo.

Por isso, sê-me só.

E dança…



sábado, 6 de julho de 2013

Fábula






  Subtraio ao consistente passo e penso

                   Penso ao inconsciente persistente

   Adverso no verso



Consisto em constâncias circunstanciais

        Que és tu princípio de meio e fim

 Vago círculo
                          Talvez…


Incrédula fala somada

(Não creio)

           Dividida soma de nenhum



 Adiciono o tempo á solidez

                   Somo dezenas sem dez

 Incompleto vazio

                       Talvez



Consisto e persisto na constante crença

 (Versada)
                   
                                     Avisto                                                             
 Nem círculo

 Nem vaga vagada 
                                       
                                (Essa fábula…)



quinta-feira, 13 de junho de 2013

Miragem Minha






Tão perto como incerto
                    tão distante
Esta verdade certa
                      tão incerta como qualquer palavra concreta
(que me cega)


Tão distante, quando olho pelo óculo esse Mundo


             Esta certa ilusão existente
(que me amarra)
Tão distante do verdadeiro som
                         (aquilo que és)


Distante é o sonho e o sonho da noite sem sono


O esboço da figura
                   O traço da linguagem
Só incógnitas de vazios
Este poço sem rio
                          onde espero esquecer a sede


Tão distante …Miragem Minha


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mundo de minha Alma







Cesso negro verbo, chuva de meu clamor

Clamo a voz às pedras, face de meu sonho

Inerte é relógio parado
                                       Parado e ofuscado

                                 Inerte é o som da melodia


(Cesso os dedos, chamo a Voz minha)


A sombra de minha sombra derruba muros

                       E os muros escondem mundos

 Mundo de minha alma

Subo o passo no passo e o sonho meu

                
  Clamo à terra, assente a mim

  (Meu é o caminho de pétalas
                       em ventos de jasmim
                perfumes etéreos em nascimentos de Sóis) 
    

Cesso o negro verbo sombra

Constantes cores me cercam

                                      Pedras levitam

Formando letras, com elas insignificantes nomes

Cristais unem-se a meu corpo e meu corpo ao sonho

                        E o sonho à luz, verso de minha alma


Ecoam horas em cordas de liras

              Flores nascem em caídos vidros

                         que ao segundo

                                     Formam de novo, o Mundo.