segunda-feira, 25 de março de 2013

Duas Elegias






És o outro e o outro és tu

        De duas faces é o prisma

Acrónimo de um

                       Vértice dividido

Um (só) Sol em paralelos mundos




(O sonho que sonhas é do outro
                         e o outro sonha teu sonho)



Uma palavra

          Duas letras

Duas sombras

           (Um corpo só)   


                  
Nenhum és e o outro és tu…

                       Um só Poema

            Duas elegias    
                  
Um só verso de dois.




terça-feira, 12 de março de 2013

Incógnita






Escondes as palavras com as palavras

                     Na ausência de vírgulas

                                  Interrogo-me nessa curva de quem não sabe



( Desfia, desfia…a linha fiada é seda de aranha )



Aroma de tempo

                Traço intenso

          Balanço em som ao vento

Incógnita sílaba



( Desfia, desfia que a linha que fias é seda na aranha )



Pergunto-me no espaço

A quem pertence o abraço

                          Na ausente-palavra.  



domingo, 17 de fevereiro de 2013

A Vida num Sonho






 Com sons tinjo bolas de sabão

 Nas mãos germinam flores     
                                                       
                   Que escondem os risos

 Onde procuro as heras


 Inalo jasmim que é flor de nevoeiros cintilantes

                  Cristais circulares translúcidos

 Cada um com um reflexo meu



 Não sei se durmo, enquanto sonho

                Ou se o sonho vive em mim

 Talvez, te tenha inventado enquanto germina o Mundo
  
                                                                       Em meus olhos

Talvez, me tenhas inventado

             Enquanto não encontro as heras perdidas

Vivo sonho ou o sonho vive em mim…



terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Só o Tempo em Palavra







O espaço só

               Ser entre as palavras

 O esboço inacabado inalterável

                                 O vácuo


(sei seres silêncio que toca)


Parte de mim incompleta

               Ser por ser

                         Repleta de asas


(Gotículas são meus versos em busca)


Um Só maior em vislumbre

(Nenhuma vela se apaga sem vento)

Sem Sol um passo de luz

(Sem vento acendo todas)       


                        Inacabada esfera em dias

Vaga de fogo no passo da melodia

Ser entre os espaços só o tempo em palavra.




quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Vago






Que vaga te levou em vento por entre as ondas
                                                             Que não vagam nestas areias


Que tempo te parou fazendo das escadas escassas pegadas

Que retorno não vejo

Que lembrança te tornou ave distante

Que apanho penas em longínquos lugares



Que palavra te roubou
                                       
                                    Impassível  

                  Que tempo te levou

 Oculto


Que céu te apagou como vela
Que na chuva te fez aguarela em remoinhos de apagadas cores
Que vaga em vaga te fez vago tempo 


sábado, 8 de dezembro de 2012

Verdade




Serpenteias entre as palavras e foges


Árido ermo onde estilhaçam cálidos lírios brancos


Escorre veneno nos beirais


No relógio parado (de ti alagado)


Sopram ventos de areias lentas 

Tardiamente
                      
                   Tardios aos olhos movem-se

Sombras horrificadas

                      Quente brisa em negro escarlate    

 Árida chuva dança a teu rasto

 Que são laços de embaraços

                    
                       Lento vento corrosivo, que não escutara

Tardiamente, Sopro que assopro num só sopro.
(onde te escondes…)                     

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Tempo de Voltar






Sem pausa, enquanto tocavam os violinos

Pousaste todos os pêndulos

Todas as horas

                 Agora que as tempestades não têm rio

Pausaste num destino sem condenações



(Sempre soube que o oceano abarca uma margem)



Não me importa que as cordas tenham ficado gastas

Desafinadas

Que os desertos sejam incertos de água

                             Que não existam fráguas


Tenho as flores para contemplar 

Uma pausa com todas as notas para escutar

          Uma margem de um destino para Pousar